A coisa parece começar lá na infância, bom, acredito que somos resultado de: caráter + ambiente + nossa interpretação das experiências, o bom que a vida faz a gente estar sempre em constante mudança e reflexão sobre o que de alguma forma nos afete e dói. Mas voltando ao umbigo da questão, a ausência da figura paterna por morte, separação, ou mesmo um pai/avô/padrasto presente com uma atitude ausente, somado a uma forte figura feminina, sendo esta aquela que por necessidade /ou opção de comando, desqualificará a relação arquetípica que oa sociedade conhece desse arquétipo masculino provedor, forte e protetor, cria uma vazio nessa relação triangular de base e poder que nos norteia desde crianças. Óbvio que cada um de nós terá uma interpretação a princípio psico-emocional e não racional sobre os fatos e, dessa interpretação, formaremos crenças que nortearam por um bom tempo, ou por toda uma vida a nossa posição em relação ao homem e tudo aquilo que ele representa, autoridade, masculinidade, força bruta.
Daí provavelmente existirá uma mãe guerreira, aquela que tentará unir 2 papéis, que ao sentir-se sozinha e responsável pelo sustento dos filhos e da casa, empobrecerá sua feminilidade e muitas desqualificará pais, maridos, amantes, de acordo com o que sobrou dessa relação com eles, ou ainda aquele com quem ela convive diariamente. Essa menina muitas vezes ao ter seu herói desmoralizado - um dependente de drogas, inconsequente, um traídor, incompetente, escapista, que faz essa menina muitas vezes se decepcionar, criar uma relação simbiótica com essa mãe vítima, batalhadora, que a salva e alimenta, que muitas vezes se colocar na posição do pai ao cuidar da mãe, ao sentir-se muito cedo responsável por ajudar no sustento familiar.
Surge então uma jovem que irá buscar se dedicar a ser o oposto do exemplo paterno, quase uma forma de se rebelar a tudo aquilo que o pai representou. Ele se dedica e busca o conhecimento como forma de conquistar uma qualificação profissional que favoreça a restituir à mãe parte de todo esforço e dedicação. Junto vem a necessidade de ser uma mulher independente que não precise passar pelo que sua mãe passou, saibe se impor e cobrar seus direitos,ou a própria mãe a admoestará contra esse "homem fraco de caráter" e estimula a filha a superá-lo.
O interessante é que ao crescer intelectualmente, essa mulher entra numa disputa clara de poder e competência no profissional e muitas vezes isso se estenderá ao pessoal. Já li num artigo que essa transição pode ser de fato quase uma projeção dessa mulher sobre a figura paterna, mais ainda uma forma dela trazer o arquétipo masculino presente em sua vida, mesmo que não exista a busca pela masculinização ou homossexualidade.
Muitas vezes o próprio machismo social e que chega até o ambiente de trabalho, termina por forçar a mulher a ter uma postura mais dura, menos feminina, como forma de criar distanciamento do assédio sexual masculino, como também da aparência executiva revelar uma profissional competente, da mesma forma que o terno e gravata traduz no homem esse valor. Claro que haverão aquelas que serão tão compulsivas quanto ao exercício profissional, que muito de seu romantismo fica trancafiado num cofrinho, só aberto quando um homem a valorize como mulher e profissional, ou talvez sua armadura seja forma de proteção quanto ao medo de ser "abandonada" na sua auto-confiança de ser amada.
Mas, com certeza, por trás do conhecimento, dos títulos, do discurso correto, da competência, existe uma mulher, existe um corpo com desejos, uma sensualidade a ser exposta entre quatro paredes, uma sexualidade a ser vivida intensamente. As faltas sempre criam espaço e compensamos este como forma de sobrevivência emocional, mas haverá sempre a possibilidade de refazer a partir de não esconder de si mesmo o direito a amar e ser feliz.










